segunda-feira, 11 de outubro de 2010

cicatrizes



Expor é cortar-se... Aos poucos as marcas envolvendo este corpo – também do texto. Eis-me branco como uma folha(ou a tela) vazio tal qual estar neste espaço árido. Cheio quando se revela algo, dá cara a tapa, socos, pancadas a cada nova investida deixar exposto para os golpes. Escrevo brigando, consigo, com outros; com Tudo. Aí depois esses hematomas; um livro escrito em tatuagens, cicatrizes... E não é que a perna quebrou? Por isso escrevo-te, porque ficou evidente minha fratura; exposta. Escrevo com tinta metálica,  cor de um automóvel que me joga pra longe e faz ficar bom tempo sem poder andar; cicatrizandando. Agora o tempo apunhala, corta com os ponteiros e faz correr sangue do espírito. Enquanto abutres sobrevoam o deserto, de bem distante, do outro lado das dunas. Ameaçam. Sinalizam tal qual o relógio a morte. Querem  carne, sangue, veem-me imóvel, acha que não suportei o deserto. Afaste-se! Espanto com as mãos, escrevo aqui pra vcs, enxoto quem me tem como morrido, existensivamente...